Memórias da familia Perfeito de Magalhães - omaganifico@gmail.com

sábado, 6 de janeiro de 2018

A morte d´uma filha.

A morte d´uma filha.
Às Mães

Lá vai o enterro já na calçada,
Lá vai minha filha para a caminha
Triste coveiro larga a enxada
Ela não gosta de dormir sozinha.

Não gosta não, pode ter medo,
Não conhece a boa madrinha,
Triste coveiro, ainda é cedo
Ela não gosta de dormir sozinha.

Olha que ela pode acordar.
- É tão linda a minha filhinha! –
Triste coveiro, mais devagar
Ela não gosta de dormir sozinha.

Olha coveiro, ela é tão nova,
E o coval é tão estreito!...
…. Olha, coveiro, faz-lhe outra cova,
Enterra-m’a aqui dentro do peito.


Mirandela, 1 de Março de 1903.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 5 de Março de 1903.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

A Alfredo Serrano

A Alfredo Serrano

Dentro das tábuas negras do teu caixão
Eu sinto Serrano a bater teu coração.
Em festa o teu cadáver! Por um instante
O teu belo olhar, o teu olhar brilhante,
Feito de luz, de fé, feito de esperança,
Toda, toda, a sua antiga luz nos lança.
A boca a vibrar n’uma frase harmoniosa,
Vai cantar talvez um canto de cor de rosa.
A alma então no céu azul brilhante
Canta lá em cima em alegre descante,
Do cadáver do poeta, d’esse corpo malfadado
Pode sair em breve o aroma perfumado
Da flor silvestre, mas pura da leveza
….Nascida do teu corpo…. em terra portuguesa.

Casa da Azenha – Douro.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” em 5 de Novembro de 1904. 
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

O Sol

O Sol
Santíssimo Sacramento

À talentosa poetisa Maria Angela

Duas dúzias de homens na empreitada,
Logo na alvorada, uns mouros de trabalho.
Homens como eu…. seu ganha-pão a enxada
E de noite uma manta como agasalho.

Homens dizem… sem ideal e sem esperança,
A vegetarem no mundo, escravos d’um feitor,
Homens como eu… a alma na bonança,
Criados como os outros para a paz e para o amor.

Era fria a manhã e a geada forte
…. Cobertos de brancura os montes do meu Douro –
Quando um raio de sol, partindo d’um conforte
Fez cintilar na terra uma faísca d’ouro.

Então eu vi os homens, crentes sublimados,
N’um impulso só, todos n’um momento
Descobertos saudarem como poetas consagrados
De voz em grita… o Santíssimo Sacramento.

Olhei em volta… nem padre nem sacrista,
Nem pálio, nem nada àquela hora.
Nenhuma capa vermelha alcançou a minha vista,
Nem ouvi a campainha tocando ao Senhor fora.

Descoberto enfim esse Deus consagrado
Saudei também cheio de sentimento,
Esse Senhor fora a despontar sublimado
Na Hóstia rubra…. o Santíssimo Sacramento.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 4 de Fevereiro de 1904. 
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Um drama
As andorinhas

A Alfredo Serrano

Eu tenho na minha varanda rustica d’aldeia,
Uns pobres vasos onde riem florinhas,
E pelas alvoradas e pela lua cheia
Trinam lindamente as boas andorinhas.

Seis ninhos já eu vi junto do telhado,
Uns leitos de brocado, ou camas de flores
Cada ninho é como um berço perfumado
Ou cama nupcial de castos amores.

E, quando o nascente envergonhado cora,
Com um beijo superior aos das rainhas,
Osculo ardente de sua amante… a aurora.
Começam a trinar as lindas andorinhas.

E durante o dia todo a lutar pela vida,
Os casados, os pais, em trinado doce e manso
Vêm trazer no bico aos filhos a comida
N’um vai-e-vem, sem paz e sem descanso.

Depois à noite quando a lua è formosa
E o luar beija a terra, o mar, a flor
Eles os pais, têm sonhos cor-de-rosa
Batem azas, palpitam de amor.

Uma manhã em que a geada fria
Matizara os campos de puro alvor,
Era mudo um ninho… o que seria?
… Era o sonho, o riso transformado em dor.

No ninho, mortos os filhos já crescidos,
Esses lindos entes produtos de amor;
E no chão da varanda, como dois esquecidos;
… os tristes pais mortos de dor.

Mirandela, agosto de 1903.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 3 de Dezembro de 1903. 
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

domingo, 1 de outubro de 2017

Coisas da vida…

Coisas da vida…

Em moldura de ouro e prata,
Sobre cómoda de pau-santo,
Meiga e linda se retrata,
Minha filha, o meu encanto.

Sorri tão linda e tão bela
No branco caixão deitada,
… Uma linda flor singela
Ao despontar a alvorada.

Quando finou… pobrezinha
Era o pai que assim escreve,
Foi em pano baratinho,
Envolto o corpo de neve!...

Debaixo da terra, na cova,
Dorme ai a minha amada,
Lágrimas tem e … tão nova…
As lagrimas da madrugada.

E se vivesse o lírio amado
Essa boa criancinha,
-como é triste e amargo o fado –
Era a rica morgadinha.

Casa da Azenha, Douro, Outubro de 1903

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 24 de Outubro de 1903.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Cartas da Aldeia IX - “Carta de Lamego - Da Casa da Corredoura ao Paço de A-de-Barros"


"Seis horas de caminho e de carruagem debaixo de chuva; pernas em combate umas com as outras; olhos a fecharem-se com sono; pragas nos lábios, tal foi o passatempo de três mágicos, que um belo dia resolveram fazer tal viagem. Na almofada da tipoia o cocheiro, verdadeiro cascata de Caxias, a chicotear os pobres lazarentos raquíticos e magros com famintos e cavalicoques que eram. Castanheiro do Ouro, primeira estação, P. C. adido de embaixada, apeando-se, olha estupefacto o hotel onde vai almoçar… e toma lugar na mesa tosca do hotel Ginginha, junto de um Juca tisico em último grau, a cuspir a cada instante e a deitar para a cara dos outros convivas junto com mil perdigotos o seu eterno: - Já viu hein, seu moço! Findo o almoço, outra vez estrada fora. Pragas do cocheiro, para nós; pragas de nós para o cocheiro, para os cavalos e para a chuva. Fantásticos castanheiros parecem desfilar, com os seus bojos formidáveis onde no interior o raquítico alfacinha podia formar essas gaiolas de grilos a que chama casas… quarto de cama, dois decímetros; gabinete de toilette, quatro centímetros; sala de visitas meio metro…. E a gente a lembrar-se que n’aquele meio metro de sala de vistas se fazem a miúdo soirées, se dança e se serve uma ceia volante do Ferrari! Caramba! Moimenta da Beira, descortina-se por entre as cordas d’água. Depois a povoação da Rua e finalmente já noite A-de-Barros. Paço, apagado e só. Velho palácio a dormitar depois das canseiras dos belos serões do século passado. Argoladas fortes ao portão e nada. Luzes na povoação nenhuma. Um dos três, resolve ir chamar o guardião do solar…. perdão, o caseiro encarregado da guarda do pardieiro…. restos arruinados de uma outra casa mourisca. Finalmente surge uma candeia segura por um velho trôpego que a cada passo exclama: - Jesus, Senhor! Valha-me a Santíssima Trindade! São os fidalgos.
Abre-se finalmente o portão, o vento apaga a candeia envidraçada e o caseiro pede suplicante para o futuro cônsul, - Vossa Ex.ª dá-me lume para acender a candeia? E como o distinto sportman quisesse meter o tal lume por uma das janelas sem vidros da candeia para acender a torcida, o velho escandalizado abre a portinhola da lamparina e aconselha: - Por aqui senhor, por aqui é que é o verdadeiro caminho. Acende-se o lume para nos aquecermos, mas o caseiro senta-se ao lume estende as pernas e principia uma comprida história … e nós mortos de fome! Até que uma das vítimas berra furioso, como no Solar dos Barrigas: - Se isso é um discurso, fica para logo. Queremos comer. Pouco depois surge um outro caseiro de galinha debaixo do braço mas a declarar pela Santíssima Trindade não ser capaz de a matar. Um dos três mata a galinha, qual coelho no monte… a tiro e depois de hora e meia de espera pudemos finalmente comer, dormir e descansar. O leitor depois de ler isto ri-se e exclama: - Que gasto de papel para contar isto! Mas leitor… temos ganho o céu, pois esta viagem foi o nosso inferno".
Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 10 de janeiro de 1904, sob o título “Carta de Lamego - Da Casa da Corredoura ao Paço de A-deBarros”.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Cartas da Aldeia - VIII

Dias de sol no campo, bom Deus!
Alegria nas árvores onde cantam pássaros, contentamento nos montes onde o sol derrete a neve; alegria na alma. Dia cheio, dia de trabalho. As árvores a rebentar e nos lábios das raparigas a rebentarem sonoras as canções de amor! Dia de sol no campo! Doce primavera a aquecer tudo com seu manto de ouro. Canta a ave, canto eu, canta o trabalhador no seu rude serviço. Cintila a água na bica do tanque e é de prata, quando qual serpente vai pelo prado fora.
Noites serenas de primavera! Cintilam as estrelas e a lua avança, divina, parecendo recolher no seio as que encontra na sua estrada de glória.
Noites de luar no campo!
Como os lírios sabem dizer às rosas segredos de amor!
Alvoradas serenas no campo. O sol a despontar sorrindo além sobre o Marão coberto de neve que está luminosa sob a caricia do astro radioso.
A essa hora doce como a alma de um crente, o provinciano sorri de satisfação e o estroina lisboeta recolhe perdido a casa.

Casa da Azenha, Douro – Quarta feira de Cinzas.

 Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 23 de Fevereiro de 1904, sob o título “No campo – A Alfredo Serrano II”.

Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

Cartas da Aldeia - VII

Dias de chuva, santo Deus! Dias de abrimentos de boca, dias de sono, dias de ralhos, dias de não fazer mais nada senão esta crónica para distrair um pouco.
Dias de chuva no campo! Dias em que se faz tudo… sem se fazer nada.
Olha-se pela conta do tendeiro, rufa-se nos vidros das janelas uma marcha extraordinária; ralha-se com a mulher, com a criada, deita-se lenha ao fogão da sala; anda-se de quarto em quarto, de sala em sala, de corredor em corredor; fazem-se festas ao cão e ao gato para logo em seguida se aplicarem duas valentes sovas nos dois animalejos…. coitados! Senta-se a gente para logo se levantar, e a chuva zás…. a cair, a cair, sempre, sempre, a insultar-nos, a escarnecer-nos… a estúpida.
Dias de chuva! Ninguém se avista, tudo parece chorar, desde o tempo até às folhas que pingam! Parece-me que tudo tem água. Nos olhos de minha mulher, nos meus... e até nos da criada… talvez por causa da cebola que está picando.
Dias de chuva no campo! Olha-se pelas panelas; vê-se o que se tem para o jantar; bate-se com os nós dos dedos na meia pipa de vinho para ver se ainda tem…. aquilo que nós sabemos e que o leitor escusa de saber…. não venha ele cá beber o resto.
Dias de chuva no campo e ninguém. Abrem-se os livros, os jornais, e tornam-se a fechar; assobia-se; recitam-se versos às cadeiras da sala; olha-se o retrato de Mousinho, mas o relógio não anda. Parece que está parado.
Janta-se ao lado da mulher, amuado, comendo bocados de cabrito, em silêncio…. e a chuva a cair, a cair sempre a maldita.
Depois de jantar mais ninguém senão a esposa. Vá um rasgo de entusiasmo. Toca a jogar a bisca, a bisca dos três. Uma partida… ainda para mais ganha por ela!
Nove horas da noite e a chuva a cair. Toca para a cama. E a criada n’uma boa noite: Acabou-se o entrudo.
Meia hora depois minha mulher dormia, eu chorava e a essa hora os lisboetas felizes entravam para os bailes de mascaras.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 23 de janeiro de 1904 sob o título “No Campo – A Alfredo Serrano”.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Cartas da Aldeia - VI

Cinco horas da madrugada leitor alfacinha, – que se encontra a essa hora talvez no primeiro sono… cinco da manhã…. é o despontar da vida, da natureza, n’uma apoteose sublime de luz e de cânticos. Cantam os simples!! Canta um galo! … e logo em seguida ao desafio os outros do lugarejo e responde o sino, chamando à missa das almas e o cavador passa, enxada ao ombro, em busca do trabalho. Rubro o oriente… a vanguarda anunciadora… do Santíssimo Sacramento, o Sol. Manhãs de verão no campo!...
E o leitor de Lisboa ao ler-nos pensa:
Onde é que eu já vi uma alvorada? ...
Depois, de repente, lembrando-se:
Ah!... foi n’um quadro de Malhoa, no Grémio Artístico, às 3 horas da tarde.
No campo até se anda pela manhã passeando… leite de burra.
Depois de se tomar uma caneca do tal leite passeia-se. Como em Lisboa se faz na Avenida, aqui faz-se…. leite de burra pela quinta fora.
E outra coisa meu lisboeta anémico…. quando os do campo desejam couves ou fruta, mandam um criado – não imaginem vocês que o criado vai à praça da Figueira, ou à canasta da mulher da hortaliça – vai à horta ou ao pomar e traz … o que a gente pediu, sem termos de largar massas!!!
Isto aposto eu que vocês não sabiam.
Nunca n’uma correspondência da província se disse semelhante coisa.
E ainda mais… os do campo não gastam água do contador… nada d’isso; para bebermos água não necessitamos de tubos, nem de torneira, nem da visita – que vocês também dispensariam decerto – mensal do cobrador da Companhia – não, senhores, quando queremos beber fazemos do nosso chapéu caneca e bebe-se em boa companhia… cabras, carneiros, bois, tudo, enfim, bebe da mesma água e…. grátis!!!
Ora toma meu alfacinha!
Quando se arma uma qualquer desordem, a gente aqui não apita, não grita ó da guarda, não aparecem polícias fardados, de chanfalho e revólver. O regedor agarra na justiça de Sua Majestade e zás… parte a justiça de Sua Majestade nas costas dos desordeiros, quando não apanha para o seu tabaco com a justiça de Sua Majestade partida nas mãos. Os feridos não encontram almas caritativas que os levem às boticas, aos bancos dos hospitais… atam eles próprios lenços vermelhos nas cabeças feridas e vão pelo seu pé para casa, sem levarem atrás pasmaceiro e alvar acompanhamento.
Repórteres não existem, felizmente, para como verdadeiras senhoras vizinhas que são, contarem a 80.000 leitores a nossa vida, desde o que comemos ao almoço, até ao que comemos à ceia, se tomamos banho ou lavamos a cara todos os dias, e, enfim, publicarem o nosso perfil e estamparem no jornal os retratos de toda a família, não esquecendo o da criada da cozinha!
Nada mais revoltante do que esse vício das grandes cidades.
Vai a gente, por exemplo, n’um acompanhamento último de um amigo, cabeça descoberta, pensativa e triste, prestando a última e amiga homenagem a nosso querido morto, quando de repente aparece um d’esses bisbilhoteiros que nos pergunta com ar de quem nos faz um favor:
- O seu nome para publicarmos no jornal… de tal.
Ah! com franqueza, muitas vezes tivemos a vontade de como resposta aplicar  formidável soco nas ventas do repórter atrevido e mal criado.
E afinal… os informadores dos jornais não têm culpa…. a culpa tem esse meio lisboeta que, como já dissemos, vive… para fingir, para deitar poeira e dinheiro aos olhos dos outros… para, n’uma palavra, deitar figura.
O verdadeiro símbolo da vida de Lisboa é… sabem quem? … o sr. Pimentel Pinto, ministro da guerra.
Para deitar figura… é janota.
Para deitar figura como militar, ordena manobras militares ridículas.
Mas se são ridículas ele não tem nada com isso… porque afinal deitou figura!
Para deitar figura castigou um benemérito da pátria, Henrique de Paiva Couceiro.
Fez figura triste, fez figura de…. o sr. juiz Veiga que faça o favor de pensar na palavra que desejamos escrever – mas afinal fez figura, que é o que ele quer sempre.
Como não pôde nunca fazer boa figura – vejam os casos do srs. Fernando de Sousa e Moraes Sarmento - faz figura d’urso… mas faz figura.
É o símbolo do alfacinha.
Cá pela província também temos um exemplar que faz figura de foguete e de morteiro… é o sr. Teixeira de Sousa
(continua)


Publicado originalmente no jornal “A Nação” em 7 de julho de 1904, sob o título “Cartas da Aldeia, VI”.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos). 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Cartas da Aldeia - V

Subindo estas encostas suaves do Douro as alfacinhas gentis! Os sapatos de verniz, em luta aberta com os pedregulhos formidáveis d’estas ribas!
Os vestidos de seda acariciados pelas silvas dos valados… e sobretudo esses gritinhos ridículos das madamas em presença de um lagarto!
Como desejamos ver o Burnay, esse Burnaysinho linha, a subir uma encosta e o Vertical a curvar-se (!) perante o Marão!
E de inverno então, Jesus Senhor!
O Chaby Pinheiro procurando por entre a geada como no Tio MilhõesUma folha de hera para levar à mamã!
Uma cantora a Pati, por exemplo, corrida à pedrada por maluca por esta gente toda, se lhe desse na mania soltar os seus gorjeios do alto d’uma colina.
E o França Borges que venha para cá convencer esta gente que o não é de ouro, nem a rainha de prata e o Ferrari impingir as suas comidas exóticas, que era corrido em toda a linha, com todos os seus criados de casaca e de cara rapada, à batata, à couve, a pau.
Pois nas aldeias – louvado Deus – é o contrário: as mulheres que se apresentam de chapéu pedindo, são mal vistas.
Toda essa gente que vive de fingir, compra por seis vinténs, quando muito, brincos de brilhantes engastados em latão fingindo ouro, e ao domingo vai dar um passeio no elétrico, até Algés, Belém, Campo Grande, olhando com ares de grandes damas para toda a gente, falando em condessas, marquesas e baronesas, cumprimentando toda a gente, sem serem correspondidas e o que é mais chegando elas próprias a acreditar, pelo bem que imaginam fingir, que pertencem à alta sociedade!
Metem às vezes nas conversas frases n’um francês… de burra espanhola… E à noite nos quartos miseráveis sem ar, sem luz, deitar-se sem comer, não lamentando porém, o dinheiro gasto nos laços de seda e nos brilhantes fingidos, acreditando terem convencido toda a gente da sua riqueza!
Estas mulheres para ostentarem mais de senhoras, chegam a vestir os pais, os maridos, empregados inferiores dos ministérios, à moda, isto é grotescamente à moda. Vestem sobrecasacas de formas anti-diluvianas e chapéus altos herdados dos respetivos avós.
Ah! a vida das grandes cidades!
Eu casei na aldeia, com uma simples rapariga, leitor amigo, para evitar ser vítima de um dos vícios mais deploráveis da vida de Lisboa.
Vamos a um exemplo. Fui pobre, casei pobre e nada mais ridículo do que ver as mulheres – principalmente as mulheres – mestras de meninos, costureiras, criadas, empregadas nas fabricas fazerem todos os sábados uma análise a todos os cantos da casa na avidez de acharem qualquer laço de seda ou veludo, já de cor duvidosa, para ornamentarem a toilette domingueira, que consta de um vestido cheio de nodoas, velho, às vezes roto… mas pretendendo tomar a regra da última moda chegada de Paris; - d’um chapéu ornado com mil fitinhas e flores artificiais, já – coitadinhas! – sem cor, sem brilho, mas dispostas segundo a praxe, vista pelas mestras aos chapéus das discípulas, pelas criadas aos chapéus das amas, pelas costureiras aos figurinos dos jornais da moda, etc.
Vai a tal extremo este vício, que uma mulher que se apresenta de lenço para lembrar qualquer coisa sem favor é logo maltratada, ao passo que uma outra que se apresenta ostentando ridículo chapéu é logo servida, embora peça uma esmola.
E agora a nossa imaginação, depois de pairar sobre estas misérias, recorda saudosa os vestuários do nosso Minho, as arrecadas e corações d’ouro verdadeiro das camponesas que se apresentassem em Lisboa, vestidas à sua moda, seriam alvo do riso alvar d’essa gente profundamente estúpida, incapaz de perceber a firme independência d’um povo trabalhador, que conserva através das gerações os vestuários nacionais.

(continua)

Publicado originalmente no jornal “A Nação” em 5 de Julho de 1904 sob o título “Cartas d’aldeia”.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

sábado, 1 de abril de 2017

Cartas da Aldeia - IV

Agora a contraprova.
Imagine o leitor que acabamos de ler um livro bom, interessante, como por exemplo o Entre Montanhas de Vieira da Costa, (que sabemos já ter perguntado ao nosso caseiro da Ameixoeira quem era o Maga) e vamos entusiasmados sem pensar perguntar… (qual outro Arquimedes… com o devido respeito, salvo seja… correndo nas ruas de Siracusa), ao nosso feitor se gosta do carácter da Luísa e dos sentimentos nobres do Afonso.
Luísa é para ele a guardadora de cabras e o Afonso um vadio de Rio Bom sem vintém e para mais ladrão de mato.
E nós legitimamente entusiasmados acreditando encontrar no nosso feitor os conhecimentos d’um Julio Dantas, o talento de um Fialho d’Almeida, a inteligência de um Serrano, caímos n’um abismo profundo, divagando o princípio da nossa ideal conversa, para o adubo, para a colheita, para o milho, para o diabo que leve o poeta do vosso feitor.
Se fazemos algumas quadras sentimentais à Lamartine, e as desejamos mostrar e ler a alguém só encontramos as cadeiras da sala de jantar - as mais bonitas cadeiras da casa por sinal - para as escutarem, para as admirarem!
Se por alvoradas claras e límpidas, nós paramos um pouco, olhos postos no espaço, ao pensamento do rústico que passa, por nós de enxada ao ombro, acode logo a lembrança… de que o fidalgo da Azenha é maníaco e … tolo.
E talvez tenha razão.
E então com a política!
Se o sr. Hintze falta ao respeito ao almirante sr. Capello… A quem confiar a nossa indignação… às galinhas, às cobras, aos lagartos? ...
Se o sr. Teixeira de Sousa, o homem extraordinário das alfândegas, parte de Alijó para Vidago a quem dar a notícia?
Ao Lourenço nosso hortelão?
E se o sr. João Franco manda fazer a qualquer partidário uma conferência a quem confiar os primores da retórica?
Ao nosso cão de guarda?
Se o nosso Álvaro Pinheiro Chagas, troca uma bola a vinte passos de distância, sem resultado grave, a quem manifestar a nossa alegria, o nosso contentamento?
À nossa criada de cozinha?
Ora bolas… isto de viver no campo também é mau.
Às quatro horas sempre à porta da Havanesa víamos o Tabordinha aqui contemplamos o Marão… os extremos trocam-se… e à porta do Ferrari Vertical, aqui analisamos o ramo vergado de um arbusto… e tantas outras pessoas e coisas que nós esquecemos.

E esse charuto, com chapéu alto, bigode louro, barriga grande, que passa cumprimentando pela Avenida, de carruagem e de monos atrás, de braços cruzados… Dois pim pam… puns da feira de Belém. Ai! que saudades do chapéu redondo que manda tudo como diz o Fialho d’Almeida.
A fingir que dá na bola o maganão.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” de 3 de Julho de 1904 sob o título “Carta d’aldeia IV”.
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

quarta-feira, 1 de março de 2017

Cartas da Aldeia - III

Os passarinhos cantam nas árvores e lá em Lisboa em S. Carlos as cantoras…. desafinam. Aqui veste a gente à pressa uma jaqueta, calça uns sapatos largos e grossos, enfia umas calças e está pronto… e lá santo Deus! Primeiro que tudo…. tira-se a carneira do bigode, depois deitam-se algumas gotas de violette no banho e mete-se a mão na banheira para ver se a água está convenientemente morna, depois do banho a barba, depois tratamento de unhas, em seguida o nó da gravata, depois o cabelo, depois as atitudes estudadas em frente do espelho; ensaio do maneio da bengala, de pôr o pé espetado, expressão do olhar… pintura dos cantos dos olhos, etc., etc.
Depois a saída… Para onde?... para o Chiado, é claro, para a Avenida, onde não existem videiras para enxertar, nem operários para vigiar, mas onde passeiam outros sujeitos idiotas e outras sujeitas parvas, que só sabem aplicar o dinheiro em fatos ou “toilettes”.
Vida a fingir essa de Lisboa… “visitas”… as “relações”, como dizem em Lisboa, que entram, que saem, que se cumprimentam na nossa sala, que dizem tudo sem dizerem nada. E que, afinal, saindo, fica-se a gente a pensar no fundo “prático” dessas visitas. São assim uns modos de passar o tempo, aturando a humanidade e a humanidade aturando a nós.
Depois os bailes. Lá dentro o luxo e a riqueza… cá fora a “fome” espreita o dinheiro que entra pelos portões dos palácios n’uma apoteose passageira de luz e gloria.
Passageira sim, pois que passados anos as pessoas que representam o ouro, confundem-se debaixo da terra n’uma santa igualdade com as que representam a miséria.
Aqui na aldeia temos um ideal soberbo. Com o nosso esforço fazemos levantar altivos de majestade os carvalhos, os castanheiros que duram 300 anos; fazemos com o nosso suor que as videiras deitem cachos magníficos… para depois eles, os da cidade, os comerem sem sequer pensarem no trabalho que eles dão a granjear.
Aqui no campo trabalha-se em moço e em velho, olha-se e contempla-se a obra feita e que bem patente aos nossos olhos está ali a provar o nosso esforço. E os velhos das cidades que provem que trabalharam que ao invocarem as páginas da vida passada, provem o labor e o trabalho, como nós provamos nas árvores que plantamos no terreno arrancado às giestas e à grama.
O passado d’eles, um …”zero” entre o Chiado, o namoro da janela e o barbeiro… o passado do homem do campo, trabalhador, a utilidade e o esforço mal pago pela terra.
Continua.

Publicado originalmente no jornal “A Nação” em 1 de julho d 1904 sob o título “Cartas d’aldeia”.

Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Cartas da Aldeia - II

Cartas d’aldeia sempre são melhores do que a Ceia dos cardeais… o sr. Julio Dantas que venha cá fazer uma enxertia de fenda cheia se é capaz.
Cartas d’aldeia valem mais que a Leonor Teles, de M. de Mesquita… aqui não se matam condes de Andeiro… morrem só sapos e cobras. O Filho das Ervas, sr. Malheiro Dias, é aqui um suíno que come erva como uma cabra macho que é. Sempre, desejava que o Augusto Lousa escrevesse cartas d’aldeia em lugar de escrever coisas da Suíça, e o Justino de Montalvão bebesse chartreux na venda de Rio Bom!!!
E se o nosso Serrano, o crítico da arte de pintar portões de quinta viesse aqui fazer uma conferência…. Encontrava para o Rafael, para o Murilo, para o Vinci, milhares de fregueses para lhes… pintarem… a cal as paredes dos casebres e para os seus Rubens e Fromentin quando muito o cuidado de pintarem de verde os portões das quintas e no cimo d’eles em letras brancas n’uma taboa o aviso: Ratoeiras.
Cartas d’aldeia, sr. redactor… e a gente a ver o mundo literário alfacinha a rir-se de nós que escrevemos cartas d’aldeia por não ter outra coisa que fazer e depois de visitarmos as galinhas, os porcos e as couves.
Eles de colarinhos, gravatas, punhos, de bigodes levantados, chapéu alto – vai para cinco anos que não avisto senão o do Canana que é um pobre maluco d’aqui – sobrecasaca, desdobrando a Nação e vendo Cartas d’Aldeia, passam logo para outro artigo … que cartas d’aldeia cheiram…. a adubo.
Eles, os cheiros à viollete, a exoticar perfumes, a lerem cartas d’aldeia!
Aposto eu já se o Acácio de Paiva que me conhece muito bem, o homem que mais se parece com o sr. Hintze, por nunca se rir e faz rir os outros, é capaz de me ler.
E o Zuzarte de Mendonça, então o feio Zuzarte, o das cartas a Braga, que me parece apenas viu de comboio a aldeia, é capaz de me ler?
E o Augusto de São Boaventura que eu conheci também muito bem…. Esse agora só tem tempo para ser diplomata transmontano de… Saborosa.
E continua.
  
Publicado originalmente no jornal “A Nação” em 28 de junho de 1904 sob o título “Cartas d’aldeia”.

Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

domingo, 1 de janeiro de 2017

Cartas da Aldeia - I

O leitor, aposto eu já, ao ler o título do artigo ou crónica, ou como lhe chama em Lisboa, pensa logo: cá temos mais uma correspondência falando em colheitas, na novidade, afirmando que os suínos engordam, que o sr. regedor anda agora a toque de caixa, às ordens do administrador do concelho, este às ordens do governador civil, e o governador civil às ordens do sr. Hintze, que dá carneiro com batatas.
Que se joga na botica o gamão entre o médico velho, imagem viva do das pupilas do senhor reitor e o boticário, ambos unidos, para sem perigo, darem cabo da humanidade; que o sacristão, toca o sino todas as manhãs…. Maldito sacristão que me acorda sempre, o estafermo; que as galinhas vão para o poleiro às seis da tarde, etc., etc.
Pois não senhor. Esta crónica não conta nada d’isso. Nem conta as lindas alvoradas, nem a água pura que aqui se bebe, nem o ar saudável do Marão.
Nem fala nas couves, nas batatas, nas noites de São João, nem nas lindas camponesas em volta da fogueiras, nem nos Zés com os corações tefe-tefe, a olharem para elas.
Também esta carta não bota cantiga ao desafio, nem fala em caçadas, não toma por assunto a vida pacata do campo, nem descreve as mulheres fazendo meia às portas dos casebres e dizendo mal umas das outras. Nada d’isso, leitor amigo. Não contamos como são maus os caminhos no Douro, nem descompomos o mestre-escola por se imaginar colega… em miniatura, como ele diz, do sr. Fialho d’Almeida, pois o estilo d’ele, mestre, (é o que ele afirma) parece-se extraordinariamente com o do grande critico.
!!!
Esta correspondência, leitor amigo, não é feita em sala com as janelas abertas que deixam entrar o ar embalsamado dos laranjais em flor, como é sempre costume dizer ou escrever d’aldeia.
Nem aqui se curva a pena reverente perante os lindos panoramas que se desfrutam… como escreve o correspondente do Janeiro de qualquer lugarejo.
Não contamos as noites de luar, nem analisamos o vestido verde e amarelo da mestre régia, nem aqui muito em segredo vamos contar a conversa que tivemos com a Tia do Zé dos Casais… que nos disse que a Ana tinha agora um namoro.
Crónicas da Aldeia… e o leitor a imaginar que a gente lhe falava n’estas coisas do campo… que a levada vai baixa com pouca água, que o milho já espigou e que a égua do sr. reitor teve dois cavalinhos.
Nada; nós não somos maçadores. Não contamos que o Zé Joaquim roubou a água ao Patarata, nem o que nos disse agora em segredo o boticário… que a sr.ª morgada pintava o cabelo e que a criada velha de lá, tinha chamado urso do monte ao menino filho mais velho do fidalgo de A-de-barros.
Bem podíamos contar… Crónica d’Aldeia… o leitor imaginou logo que o filho do António de Felgueiras, tinha roubado um molho de erva ao Sr. Teles da quinta de Entre Ventos.
Ora essa! A nossa carta d’Aldeia, não é como as outras; não conta que o porco da Joana é o mais pesado do que o do António da Queimada e que o nosso cão de fila mordeu n’um braço o ano passado a caseira de Tourais.
Carta d’Aldeia explica… Mas como ela já vai grande, até outra vez, leitor amigo.
PS – Vai agora a explicação da nossa carta. Desejamos dizer que o nosso hortelão o Lourenço anda de mal com as filhas do Gago.
Agora sim.

Originalmente publicado no jornal “A Nação”  em 21 de Junho de 1904 sob o título “Cartas da aldeia”.


Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

PELA PROVÍNCIA DE TRÁS-OS-MONTES (de Lamego a Mirandela) - XVII

O administrador do concelho de Mirandela, José da Rocha Sousa, acaba de assistir impassível à prova mais cabal da ignorância da câmara que com promessas falsas fez eleger.
O palácio do paço que a câmara alugara acaba de ser penhorado por falta de pagamentos.
Reina grande agitação na vila por mais esta enorme prova de estupidez e de maldade.
O dinheiro que se gastou com a grotesca visita do sr. Teixeira de Sousa, chegava bem para pagar parte do arrendamento atrasado.

Originalmente publicado no jornal “A Nação” de 11 de Outubro 1902 sob o título “Trás-os-Montes – Mirandela – 9".
Republicado em Dezembro de 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).

segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

PELA PROVÍNCIA DE TRÁS-OS-MONTES (de Lamego a Mirandela) - XVI

Depois de uma curta visita a esta vila, partiu em direção a Lisboa o sr. Teixeira de Sousa, ministro da marinha. A impressão que s. ex. leva de Mirandela não pode ser mais desgraçada. Quiseram que ele entrasse como politico e não como ministro; como regenerador e não como transmontano, como protetor e não como homem de talento…. O resultado foi nojento. Vivas apenas as teve dos empregados tabaqueiros; como homenagens, esses trapos vergonhosos, esses escudos partidos e porcos, que se ostentavam em mastros torcidos. Como mostra de admiração e respeito a recusa de um camarista de assistir ao banquete porque custava 6$000 reis e ele camarista, jantaria em outras parte por dez tostões!!!
Não houve animação, o mais leve entusiasmo, a mais pequena nota de alegria.
De noite, as ruas iluminadas ridiculamente; balão apagado aqui, balão a brilhar acolá e o vento a agitar doidamente os trapos a que aqui chamaram bandeiras e que o Porto tirou dos seus monturos, para festejar o ministro em Mirandela. Nunca a nobre vila transmontana apresentou um aspeto tão desolador.
Os convites para o banquete eram feitos com o pedido imediato de dinheiro. Enfim, uma verdadeira vergonha.

Originalmente publicado no jornal “A Nação” em 11 de Setembro de 1902 sob o título “Mirandela 8”.
Republicado em 2016, no livro “Entre Montes”, Crónicas do Maga 1900-1904, de José Perfeito de Magalhães de Villas-Boas (Alvellos).